Alessandra Garattoni, Jornalista de Moda e Blogueira

A Ale Garattoni é umas das pessoas mais admiráveis que existem na web hoje. Quando pouca gente sabia o que era uma “it girl”, ela já escrevia sobre o assunto com maestria no seu blog em 2007, pouco tempo depois de trocar o Rio por São Paulo para ser jornalista de moda. Ale era administradora mas decidiu ir atrás do seu objetivo – conquistado e comprovado – passou pelo site Glamurama, pela revista RG, publicou um livro, e agora lançou a consultoria AG Branding, com palestras já esgotadas. Ela é a prova viva de que o bom conhecimento é melhor ainda quando compartilhado. E a gente compartilha aqui tudo que ela contou pra gente!

Profile & Carreira

Muitas meninas se inspiraram no It Girls quando na época não existiam muitos blogs de moda. O blog foi algo planejado? E o livro, era um sonho antigo? 

O It foi das coisas mais despretensiosas que já fiz na vida. Criei e sempre o enxerguei como um hobby – ainda hoje vejo blogar mais como hobby do que qualquer outra coisa. Quando ele entrou no ar, em 2007, não havia essa realidade atual de blogs como grandes e bem-sucedidos negócios e, como todas as outras blogueiras daquela época, nunca imaginei que seria lida por mais do que 12 pessoas. Já a publicação de um livro era um sonho super antigo. Antes mesmo de imaginar qual seria o tema, sabia que ainda teria meu nome nas prateleiras de livrarias (um dos ambientes que mais amo, por sinal!).

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Falando em planejamento, você já deu a dica da planilha de metas no seu blog. O que fazer quando você volta a olhar a planilha depois de um tempo e percebe que, apesar do esforço, não conseguiu conquistar certa meta?

A planilha precisa ser eficiente e completa. Além de listar seus objetivos, sempre acho importante listar as mini-metas objetivas e diretas que vão te fazer alcançar cada objetivo. Na minha “teoria da planilha” também sempre cito a importância de se colocar prazos e escala de prioridades. Claro que é preciso ser realista e entender que não se atingirá 100% dos objetivos no tempo proposto, mas, na minha experiência, o índice é bem próximo disso – e vale lembrar que, em um planejamento para cinco anos, a gente muda de ideia no meio do caminho e certas coisas deixam de ser objetivos!

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O que você diria para quem pensa em mudar de ramo profissional, mas tem medo que seja tarde demais? 

Que “tarde demais” é uma expressão que não deveria existir. Claro que dá medo, insegurança e nem sempre podemos simplesmente jogar tudo para o alto de uma só vez. Mas com consciência e planejamento, todo mundo deve, sim, ir em busca de sua real vocação. Mesmo porque só a paixão (pelo que se faz) pode nos levar para o sucesso.

Você é super ativa nas mídias sociais, principalmente no Facebook. Você já postou algo que se arrependeu depois? Como lidar com críticas não muito construtivas?

Hoje em dia, com tantos anos de internet (e também de experiência, de idade mesmo!), consigo ser menos impulsiva e mais racional, mesmo sem deixar que isso afete minha espontaneidade. Mas quando tudo isso era muito novo eu já errei muito. Principalmente no Twitter, que é a mídia social mais fácil de se perder a mão! Com o tempo, eu aprendi que aquela frase “sou responsável pelo que eu digo e não pelo que o outro entende” não faz nenhum sentido quando se fala pra mais pessoas. Eu sou responsável, SIM, pelo que as pessoas podem vir a entender, então é fundamental ser muito cuidadosa. Ter uma voz – seja pra dez, mil ou milhões de pessoas – é uma enorme responsabilidade e não querer lidar com as consequências é imaturidade. Já com as críticas ácidas, aprende-se a lidar com o tempo também. É muita pretensão querer ser unanimidade, querer que todo mundo te ame. Existe uma coisa chamada antipatia natural e eu aceito numa boa (até porque também nutro algumas, sou humana!). Já quando a pessoa é muito agressiva, eu levo ainda menos para o pessoal, porque entendo que aquele ódio é algo muito mais interno (nela) do que direcionado a mim.

Hoje com o blog, os livros, e as palestras, você tem uma profissão que de certa maneira você mesma criou. Qual é a melhor parte de ser a sua própria empresa? E a mais difícil?

A melhor parte é que essa liberdade de criação e de falta de rotina é o que sempre combinou com a minha personalidade. A mais difícil é manter a disciplina no meio de tantas interferências e estímulos externos – olha que sou super disciplinada, mas como evitar a procrastinação com o mundo da internet ao alcance de um clique?!

Como você encontra equilíbrio entre os planos/sonhos para o futuro e o que você está fazendo agora?

Não encontro!!! A ansiedade e o pensamento ligado tendo ideias 24 horas por dia são meus grandes defeitos. Ainda estou aprendendo a me desconectar. Mas, ao menos, estou aprendendo a realizar antes de falar – como uma pessoa que planeja muito, acabava falando mais do que devia.

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O melhor conselho que você já recebeu foi… “Quando vier alguém, faça o mesmo”. Ouvi essa frase do jornalista de moda Lula Rodrigues, que foi meu professor na especialização em jornalismo de moda em 2004. Ele me enchia de referências, me exigia ao máximo e, quando eu agradecia por esse suporte, ele respondia a frase em questão. Na prática, isso significa criar uma espiral positiva de ajuda e suporte, com mais generosidade e menos competição. Levo isso super a sério e amo saber que ajudei alguém de alguma forma. Sem querer ser (muito!) piegas, acredito que o mundo seria um lugar melhor se mais pessoas levassem essa ideia adiante.

O que vc diria para a Ale de 21 anos? Calma! Você tem todo tempo do mundo pela frente!

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São Paulo 

Qual é o seu lugar preferido em SP? Para ser bem honesta, minha casa! Sou super – e cada vez mais – caseira!

Um dia “mãe e filha” na cidade com a pequena MH, como seria? Não sei se por ser carioca e ter crescido no Rio, vejo uma deficiência muito grande em programações para os pequenos em SP. Acabamos passeando mais pelo bairro (moro no Itaim) e indo a shoppings – MH já adora aquelas áreas de recreação. 

Comprinhas, tem que ser na… internet! Compro quase tudo online, de verdade! Sou viciada, a um ponto em que tenho um cartão de crédito na mesinha de cabeceira, para minhas ocasionais insônias consumistas. 

Um lugar que todo não-paulista tem que visitar? A Pinacoteca é um museu lindíssimo aqui em SP. E já que aqui é a terra dos shoppings, um passeio no Iguatemi ou no Cidade Jardim também é bem-vindo.

E já que você é expert em NYC… o lugar que você sempre vai quando pisa em Manhattan? Difícil escolher um só! Mas minhas viagens para NY SEMPRE começam agradecendo na catedral St Patrick, que tem uma energia sem igual.

– Fotos cedidas por Ale Garattoni; Andrea Mendes.

  • A Ale é uma blogger top. É de uma inteligência que eu invejo ( no bom sentido) como ninguém. Toda a carreira, a história dela, me fascina. Adoro como ela é expõe suas idéias no facebook, a sua clareza, a responsabilidade de se fazer entender como ela mesma disse aí na entrevista.
    Definitivamente ela é a melhor.
    Parabéns pela entrevista, muito boa. Perguntas diferentes e interessantes.
    Beijinhos
    http://Www.UmPinguinho.com.br

  • Camila

    Sensacional! A Ale é referência! Blogger, jornalista, determinada, capacitada, culta, sabe o que fala! Admiro desde sempre!

  • Rafael Carneiro Almeida

    Culta? Jornalista? Pelo que li, não passa de uma deslumbrada, analfabeta funcional… Só escreve coisas óbvias e pelação de saco…. Tudo por uma esmolinha aqui e outra ali….

    • Oi Rafael, se para você o que ela escreve é obvio, a mesma informação que a Ale compartilha pode não ser tão obvia para outra pessoa, pense nisso!