Mariana Pierre, Lilóri Pães e Doces

A Mariana é uma daquelas pessoas que já encanta pelo sorriso, e se for depender dela, os intolerantes alimentares estarão salvos, pelo menos em São Paulo. Fomos conhecer a mente (e o sorriso) por trás da Lilóri, a mais nova padaria sem glúten e sem lactose que fica nos Jardins, e o resultado dessa visita você lê aqui:

Como veio a ideia de criar a Lilóri?

Veio das restrições alimentares que meu filho possui (glúten, lácteos e proteína da soja). A ideia inicial era de fazer um local onde meu filho e outras pessoas com dietas especiais pudessem comer com a liberdade e a segurança de escolherem o que quisessem do cardápio. A ideia sempre foi a de INCLUSÃO. Comer é uma forma de socializar, é um ato de prazer.

Queria poder sair com meu filho, tomar um café e poder comer um bolo sem me preocupar se ele passaria vontade de comer ou se a comida fosse fazer mal a ele. Além disso, se eu fosse abrir algo assim, as comidas oferecidas seguiriam a linha de comidas saudáveis por ser algo que sempre adotamos em casa.

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Qual foi a primeira receita que você lembra ter feito para o seu filho, depois que você descobriu que ele é alérgico ao glúten e à proteína do leite e da soja? Sua alimentação também mudou muito depois disso?

Essa época foi uma loucura. Fiquei perdida. Não tinha muita informação sobre alimentação sem glúten, lácteos e soja. Contaminação cruzada? Nunca tinha ouvido falar. Fiz muitos testes e joguei muita coisa fora. A primeira receita que deu certo foi um bolo de chocolate.

Nossa alimentação mudou drasticamente. Tiramos todos os produtos proibidos na dieta do meu filho de casa. Eu e meu marido passamos a nos alimentar como ele. Queríamos evitar a contaminação cruzada a todo custo. Essa mudança fez eu me apaixonar por esse mundo saudável e a conhecer muitas coisas às quais eu ignorava.

Rolinhos com molho de castanha de baru do cardápio de verão da chef Bela Gil

Bolo de cenoura que dá para ver os pedacinhos de cenoura <3

Antes de você abrir a Lilóri, você era advogada (e bem sucedida na profissão!). O que foi essencial para tornar realidade uma ideia em seu projeto de vida?

O apoio do meu marido. Abrir um negócio não é fácil e se não tivermos apoio dentro de casa fica difícil concretizar qualquer projeto de vida. Além disso, no meio do caminho fui conhecendo muita gente especial com muita vontade em ajudar e abraçando a causa da Lilóri.

Qual a melhor e a mais difícil parte de ter o próprio negócio?

A melhor é a satisfação pessoal de ver que algo que você idealizou está ajudando muitas pessoas. Recebemos muitas mensagens de carinho de clientes.

A mais difícil é que ter o próprio negócio. Você pensa nele 24h por dia. Não consegue desligar.

Você tem algum prato preferido que talvez sua mãe fazia quando você era pequena, mas que teve que ser modificado para o seu filho?

Sim, minha mãe sempre fez esfiha. Depois que meu filho nasceu paramos de fazer em casa e até de comer. Mas agora adaptamos a receita e conseguimos chegar em um produto parecido.

Quanto ao doce, sempre amei bolo de coco gelado. Daquele que embrulhamos no papel alumínio e deixamos na geladeira. Hoje posso dizer que o da Lilóri é ainda melhor que o que minha mãe fazia.

Brigadeiros sem culpa

Os brigadeiros e beijinhos da Lilóri são feitos sem leite, em uma receita de leite condensado feito à base de leite de côco fresco ou leite de amêndoas, e manteiga de cacau orgânica. Também tem o briganutri, feito à base de, acredite se quiser, grão-de-bico. Uma delícia.

 

Para quem não está acostumado em comer comida mais natural, qual prato da Lilóri que você recomendaria para começar?

De salgado eu recomendaria as quiches ou o hambúrguer. De doce, definitivamente o brownie.

Quais dicas você daria para quem gostaria de ter hábitos mais saudáveis?

É só começar…não tenha medo de que não vá gostar das comidas. Abaixo o preconceito de que comidas saudáveis não tem gosto. Depois de um tempo o paladar muda e muitas coisas que antes eram deliciosas não darão mais prazer.

Abaixo o preconceito de que comidas saudáveis não tem gosto

- Mariana Pierre

E qual o seu prato/pão preferido da Lilóri?

Adoro o Lilóri Burger e o pão low carb. Mas sou suspeita, gosto muito de muitas coisas de lá.

Descreva o dia perfeito em São Paulo, grastonomicamente falando!

Sábado para mim é um dia muito bom. Começamos fazendo compras na ferinha orgânica do Ibirapuera. Meu filho adora! Ele ganha frutas dos feirantes e vai comendo enquanto fazemos compras. Depois acabamos com um almoço na Lilóri. Infelizmente as opções em SP ainda são muito restritas para ele.

Contaminação cruzada

Para quem tem alguma alergia alimentar, não comer glúten/lactose não é um caso de bem-estar ou perca de peso, mas de saúde! O chef Jorge Augusto, que não tem nenhuma intolerância, adotou algumas mudanças na sua própria alimentação após conhecer a Mariana. Juntos, eles desenvolvem todas as receitas

Um sabor/ingrediente que você não consegue viver sem?

Tapioca. Ela fez toda diferença quando eu tive que parar de comer os alimentos que meu filho era alérgico/intolerante enquanto estava amamentando.

Lugar favorito para viajar?

Itália. Além da comida deliciosa encontramos muitos restaurantes aptos a atender pessoas com dietas especiais. Eles tem muita informação e muita receita boa. Lá foi o primeiro local que meu filho comeu um sorvete de casquinha (sem glúten, lácteos e soja).

O melhor conselho de vida que você já recebeu…

Não desista das coisas que você quer facilmente. Lute por elas e se arrependa de algo que fez.

O que você diria para a Mariana de 21 anos?

Faça tudo de novo. No final as coisas darão certo.

 

– Mariana foi fotografada por Juliana Kang em Fevereiro de 2015. 

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