Claudia Souza, Ilustradora, Estúdio Borogodó

Claudia é ilustradora, mora em Curitiba, e de lá compartilha todas as suas inspirações através dos seus desenhos. Ela já foi redatora, trabalhou em agências de publicidade, e hoje, junto com outros dois amigos criativos toca a Borogodó, um estúdio e lojinha de décor. 

Você sempre soube o que queria fazer quando crescer?

Eu não nasci sabendo que queria ser ilustradora não, longe disso! Sempre curti temas relacionadas a arte, mas durante boa parte da minha adolescência achei que seria professora de literatura. Acabei desistindo de cursar Letras no último mês do vestibular e fui pra Publicidade no impulso! Durante o curso me arrependi demais, porque o mais complicado pra mim foi ver que eu não me encaixava em nenhuma das funções de uma agência. Hoje, vejo que teve muita coisa positiva, alguns achavam que eu iria pra redação, outros pra direção de arte e segui de novo pro mais improvável, a ilustração, que foi o rumo mais lindo que pude tomar na vida!

Por que “borogodó”? 

A ideia do Estúdio Borogodó já existia na minha cabeça e ficou ali quietinha por um bom tempo. Sempre falei muito essa palavra pra definir coisas diferentes, bacanas e que me faziam rir! Até que num belo dia, folheando revistas velhas (amo e não consigo me desfazer) eu me deparo com a bendita palavra ali, na minha cara. Como uma pessoa que acredita muito em sinais, eu fiquei cismada e colei aquilo na parede, como um lembrete de um sonho que precisava ser tirado do papel. No Estúdio eu queria unir as minhas grandes paixões: criação e brasilidade.

Hoje eu estou em Curitiba, e trabalho com o Alexandre Saito, artefinal e especialista em tratamento digital e com a Camila D ‘Orazio, fotógrafa. A lojinha Borogodó foi um extensão disso: valorizar a cultura brasileira através de produtos decorativos cheios de história, porque eu também amo decoração! Vem dando muito certo, graças a Deus!

Brasilidade em Tudo O Que Faz

Borogodó encontrado na ilustração “Ipanema Girl” para Urban Arts, e na linha Rendeiras criada para a marca de porcelanas Germer

Cada um pode ter sua história, começar do jeito que quiser

- Claudia Souza, Ilustradora

O que você faz quando está sem inspiração para criar? 

Eu planto bananeira. Mentira, mas seria sensacional se isso fosse verdade, porque a real mesmo é que apesar de trabalhar com criação, eu sou bem objetiva na maior parte do tempo. Tá faltando inspiração? É porque eu não tenho um briefing completo nas mãos ou porque não pesquisei o suficiente ou porque não falei com as pessoas que precisava. Sempre quando dá aquele vazio eu procuro o furo lá no começo do processo, bem “caxias” assim.

O que você diria para quem gostaria de trabalhar com ilustração mas não sabe por onde começar?

Primeiro, deixe de lado toda a insegurança e pense como uma pessoa que quer profissionalizar seu talento. Monte um bom portifólio, mesmo que você nunca tenha trabalhado para algum cliente, faça peças-fantasma para marcas que você gostaria de trabalhar e principalmente, inclua só projetos que vc gostaria de fazer (não crie logos, se você quer criar estampas – isso pra mim, foi um divisor de águas). Pra isso, procure boas referências e se inspire. Não banque o artista-conceito-mudo e explique a ideia do projeto, escreva – aí vc já começa instigando as pessoas a te contratar pela sua caixola, não só pelo seu traço. Cada um pode ter sua história, começar do jeito que quiser – mas eu acredito que o portifólio é um ótimo começo.

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Qual a melhor parte de ter o próprio negócio? E a mais difícil?

Melhor parte: flexibilidade de tempo. Depois que comecei a trabalhar sozinha, eu me organizei do jeito que queria e tomei as rédeas da minha vida. E tomar as rédeas significa que tudo está no seu controle, assim como você poderá dormir até tarde depois de trabalhar muito no dia anterior, você também terá que lidar com o efeito que isso pode ter – ninguém irá te cobrar, por isso que a disciplina é tão importante. O tempo pra ilustrar também ficou menor, porque existem muitas outras coisas pra fazer! E isso leva pra parte mais difícil pra mim que sou uma zero a esquerda em exatas: planilhas financeiras infinitas.

Qual o melhor conselho que você recebeu desde que você começou o próprio negócio? 

Se você ama o que faz, você vai encontrar meios pra viver disso.

Trabalhos diversos

Da própria coleção de pôsteres, para estampas em porcelanas, até personagens do universo infantil, Claudia faz de tudo, mesmo!

Tem algum projeto que foi o seu preferido?

Tem vários! Eu amo criar personagens, mas ilustrar louças foi incrível, tanto que pretendo fazer uma coleção de pratos decorativos logo logo para a loja. Mas enquanto esse projeto ainda não sai, com certeza o mais legal é também o mais atual – os primeiros produtos da nossa lojinha, os pôsteres da Coleção Bença. Mais do que uma coleção de santos, essa linha retrata a fé brasileira e o seu jeito alegre de expressar isso. A gente trouxe a nossa versão das imagens que víamos na casa de nossas avós. Também ilustramos o Divino Espírito Santo, este que tem um valor muito especial pra gente, já que está logo na porta de entrada do nosso estúdio. E assim como essas imagens fazem parte do que somos hoje, a gente quer que essas coloridas versões causem o sentimento que motivou a gente a criar essa coleção: compartilhar fé e trazer muita “bença” pra casa das pessoas.

Sonhos que deixam você acordada antes de dormir?

Morar fora do Brasil, levar a Borogodó pra lá e saber que vou sentir uma saudade danada!

O que você diria para a Cláudia de 21 anos?

Eu sei que você tá chateada porque recebeu uma advertência da tua chefe por ficar desenhando os clientes que entram na empresa. Mas acredite, lá na frente isso vai dar pé e te render muitos sorrisos 🙂

– Fotos: Claudia Souza, Estúdio Borogodó.