Talitha Ramos, Myork Consultoria de Estilo

Sempre acompanhamos o blog das meninas do Oficina de Estilo e foi lá que encontramos o nome da Talitha, durante uma visita nossa a NY. Ela mora lá com o marido (e logo mais com o Theo, a Tali está grávida de 8 meses ?). Formada em Relações Públicas pela PUC-PR, seu trabalho mudou desde que encontrou o curso de Consultoria de Estilo do Oficina em um momento de transição de carreira. Fomos até o bairro de Carrol Gardens em Brooklyn, para conversarmos um pouco mais sobre a sua consultoria, que mais envolve autoestima e autoconhecimento de estilo e hábitos de vida do que compras – o que faz o maior sentido para alguém que não gostava de moda, e sim de gente –

Você é trabalhava com marketing e publicidade no Brasil, como você acha que o seu background ajudou na hora de definir a nova carreira aí em NY?

Na verdade a nova carreira foi definida ainda no Brasil. Mas só quando cheguei a NY coloquei em prática de verdade: me dei a chance de começar do zero. O background me ajudou a ser mais criteriosa e buscar boas referências, porque acho que os profissionais de comunicação em geral estão sempre bem ligados em tudo de novo e transformador que está acontecendo no mundo.

E depois de já ter começado a trabalhar com a consultoria de estilo, a carreira anterior ajudou ainda mais: a colocar plano de negócio e de comunicação em prática e a divulgar meu trabalho de forma mais empática e eficaz.

Qual o primeiro passo que uma pessoa pode fazer para um estilo mais consciente?

Estilo é o que você veste e quer vestir, mas também o que você gosta de viver, quais são os seus hábitos, prioridades, preferências, o que você gosta de fazer no seu horário livre. Isso tudo define quem você é, e a partir disso, a roupa deve entrar para ajudar. Não adianta você se vestir de uma forma que a indústria da moda manda, se não condiz com o seu estilo de vida. Você nunca vai ficar satisfeita porque o seu estilo não está sendo uma reflexão do que você é. A ideia também não é jogar tudo fora. Dá para fazer um processo de encontrar a identidade pessoal, vendo o que faz sentido para você, separando o que sai, o que fica e o que vamos pensar. Dar o fim de uma forma um pouco mais consciente – vender em um brechó, levar para quem precisa, fazer uma reciclagem. Depois disso, a procura por roupas é por peças específicas. E não comprar para satisfazer uma outra necessidade. E sim, dá para fazer uma consultoria de estilo sem nada de compras.

Court Street Grocers

O local foi escolha da Tali, que mora no Brooklyn. O café tem várias opções de sanduíches, inclusive versões vegetarianas, e uma lojinha

Como usar a moda como ferramenta a favor do autoconhecimento e autoestima das mulheres, na prática?

Um dos meus lemas no trabalho e o que tento aplicar com as clientes é: “a moda precisa mais de você do que você dela.” Os valores se invertaram um pouco nos últimos tempos, também por causa das fast fashions e dos preços baixíssimos dos produtos. Mas, o que todas nós temos que entender é: não vai resolver nada na vida comprar desenfreadamente, sem pensar, sem entender quem somos de verdade e o que estamos buscando. Temos que tirar nós mesmas do piloto automático do consumo para não termos mais aquela sensação de guarda-roupa lotado e ao mesmo tempo de que não temos nada para vestir.

Você diria então que é preciso uma análise interior antes de mudar o que a gente mostra por fora? Ou seria uma mudança no visual que consequentemente levaria para uma mudança interior?

Na teoria a análise interior vem em primeiro lugar. Mas, na prática da consultoria, muitas vezes o que acontece é que, com o trabalho de investigação que faço com a cliente, eu acabo ativando algumas questões no decorrer de cada etapa que só vão realmente ser trabalhadas por ela mais tarde. Ela vai entendendo aos poucos e com a prática dos exercícios da consultoria quais são suas reais prioridades pessoais e de vida. E a consultoria é só o início de tudo. Na maior parte das vezes a cliente continua no seu processo auto-investigativo depois que o trabalho termina.

Conta pra gente um pouco da consultoria online?

A consultoria de estilo online nada mais é do que a consultoria presencial feita a distância. A metodologia é exatamente a mesma, mas ela tem um formato de “coaching de estilo”. É o meu carro-chefe hoje, porque a maior parte das minhas clientes não estão em NY ou  acham o valor do trabalho online mais acessível.

As 3 primeiras etapas, de investigação, acontecem exatamente da mesma forma que a presencial, mas os papos e visita ao guarda-roupa da cliente são via Skype ou Facetime. Depois disso eu trabalho em uma proposta de identidade visual e apresento para ela.

Só então, começa a parte prática e é aí que a cliente exercita muito em casa, sempre guiada por mim: revitalização de guarda-roupas, exercício de montagem de looks e no final compras (se necessário). Eu sempre mando todo o passo-a-passo detalhado de cada etapa e fico à disposição por What’s App ou email.

Eu, particularmente, acho que as clientes aprendem mais e mais rápido a praticar seu estilo pessoal no formato online, porque elas precisam dedicar uma boa parte do seu tempo praticando em casa, sozinhas. E, muitas vezes, isso faz com que elas entrem em seus processos de autoconhecimento mais rápido também.

O Theo vem aí!

Na reta final da gravidez, vale seguir a Talitha no insta @myork_, com várias dicas de estilo para grávidas

E qual foi o seu maior desafio na hora de se vestir, como grávida?

Quando eu engravidei, já sabia que não queria vestir roupas típicas de maternidade. Até porque comprar roupa para usar por no máximo 9 meses e depois se desfazer dela não é nada sustentável.

Então eu comecei a pesquisar muito sobre estilo pessoal para grávidas e descobri que tinha muita coisa no meu guarda-roupa que serviria para o período do barrigão. Claro, fica um pouco mais restrito, mas acho que fiquei até mais criativa com essa restrição.

Também encontrei uma marca aqui de NY que faz roupas que podem ser usadas antes, durante e depois da gravidez. Ou seja, coisas super confortáveis que eu poderia adaptar facilmente para cada fase e que vão durar mais tempo no meu guarda-roupa.

E foi assim que fiz: comprei muito pouco e abusei da minha criatividade na hora de vestir.

O que você diria para a Tali de 21 anos?

Relaxa garota! o mundo é muito maior e mais possível do que você imagina. Segue sua intuição que não tem erro: tudo vai ficar bem!

– Tali Ramos foi fotografada por Juliana Kang em Brooklyn, NY. 

  • feferesende

    que coisa linda isso “da moda precisar mais da gente do que a gente dela” — e quanto orgulho de tanta coisa! que trajetória consistente a thalita tem feito (a gente também acompanha daqui!) e que delícia começar a ler o texto encontrando a Oficina de referência! o/ o/