Deborah Kang, Amaré Design

Essa poderia ser apenas uma história de mudança de carreira. A Deborah é formada em Arquitetura, e durante a recessão de 2008 em NYC, decidiu seguir outros rumos. Foi se especializar em Design de Estampas, e ao mesmo tempo, começou a trabalhar na marca J.Crew. Lá conheceu Johnny Cardenas, que trabalhava com Visual Merchandising. Depois de 6 anos criando estampas para uma empresa em NYC, Deborah decidiu se mudar para o Ceará, terra em que cresceu, para começar seu primeiro estúdio de estamparia. Junto com Johnny (sim, essa também é uma história de amor), a Amaré nasceu em 2015. 

Você era arquiteta, e decidiu mudar de carreira. Conta pra gente como foi essa transição? O que te levou ao design de estampas?

Depois da faculdade, meu primeiro trabalho foi em um showroom de interiores no Pacific Design Center em Los Angeles, então comecei a prestar mais atenção e gostar de design de móveis, lustres e tecidos.

Quando me mudei pra NYC consegui trabalho em um escritório que era dividido entre uma compania botique de tecido decorativos e uma designer de interiores. Acabei descobrindo que gostava mais de estampas do que interiores.

Com a recessão e sem muito trabalho, acabei mandando meu portfolio e fui aceita pra um curso de design de estampas no FIT, escola de moda de NYC.

Você pinta desde pequena, ou o interesse pelas artes veio depois? E o Johnny, também?

Sempre gostei das aulas de artes na escola, e fazia direitinho, mas não tenho aquele talento natural. O Johnny sempre gostou de sketch desde pequeno. Na faculdade ele fez uma classe de pintura e desde então não parou. Mas sempre como um hobby.

De onde vocês tiram as inpirações pra criar cada estampa?

Nós achamos inspiração em tudo, desde a natureza, a obras de artes e também outros designers de estampas, aqueles designers que o proprio nome ja virou estilo de estampa, como Liberty, Pucci.

Amar é... A maré

Muitas das estampas deles começam com tinta e pincel. Aquarela e guache são os preferidos. O nome Amaré é uma junção de amor (já que essa é uma história de amor) e mar (já que estão em Fortaleza).

Como o seu tempo na Califórnia e em Nova York influencia o seu design? Você acha que sua perspectiva global permitiu-lhe um olhar mais amplo?

Diria mais que NY teve maior influencia, pois é uma cidade bem global, com gente de todos cantos do mundo. Trabalhar no mercado de moda em NYC você esta exposto a moda do mundo inteiro, então aprende muito.

Trabalhar em casal, foi um ajuste?

Com certeza! Passar o dia todo junto é a vantagem e a desvantagem ao mesmo tempo. É mais um ajuste porque também estamos descobrindo o que é Amaré e o que podemos fazer como uma compania.

Nova York faz parte da história de vocês, o que vocês sentem mais falta de lá? Trabalhar com estampas lá e aqui é diferente?

Sentimos falta de poder sair andando por aí. Em NYC não tínhamos carro, acordávamos Domingo de manhã e saímos andando para ver onde o dia iria nos levar. Tanto eu quanto ele trabalhávamos em empresas grandes, com produção na Ásia, como na maioria das empresas de moda nos EUA. Aqui nós fazemos o design, e produzimos também, então do começo ao fim estamos totalmente envolvidos.

Tiny, a mascote

De NY eles trouxeram a Tiny, uma cadelinha pra lá de fofa. Ela que aprova todas as estampas! Na verdade ela gosta de tudo. Principalmente de um tecido macio.

E o Ceará, como ele influencia artisticamente falando?

O Ceará nos influencia muito. Aqui tem sertão, mas tem mar. As pessoas são muito acolhedoras. Tem muito amor envolvido nas empresas que atendemos. Tem também a influência do clima quente 365 dias do ano, então as cores são mais vibrantes, tudo é mais colorido, mais vivo.

A Amaré tem uma proposta diferente, como vocês tiverem essa ideia?

Muitas estamparias estão no Sul do país. Nós vimos uma necessidade do mercado de moda local em ter estampas exclusivas, com mais agilidade – pela proximidade – e também com um trabalho personalizado. Nossa ideia é ser um ateliê de estampas, feito em demanda. Aqui a gente tem estoque zero de tecido estampado, não tem estampa repetida entre as marcas, ou sobra.

Qual dica você daria para quem gostaria de se aventurar no mundo de design de estampas?

Fazer um curso primeiro pra aprender as tecnicas de como fazer, mas também viajar, em pessoa se possível ou virtualmente, porque quanto mais você vê, mais inspiração tem para criar. Hoje todo mundo tem acesso a tudo digitalmente, então como designer você tem que ir um passo além, pensar fora da caixa.

Qual a parte mais difícil e a mais significante de ter o próprio negócio?

É maravilhoso poder tomar a direção artística, porque no mundo corporativo isso só acontece depois de muito, muito tempo.

O que você diria para a Deborah de 21 anos?

Não se preocupe porque você vai achar sua carreira. Dei sorte de descobrir o que gosto de fazer e poder fazer isso todo dia.

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