Manus X Machina

Todo ano o Metropolitan Museum de NY abre as portas para um olhar artístico sobre a moda. Em 2016 a exposição ganhou o nome de Manus X Machina. O conceito vai muito ali de dicotomia entre o luxo handmade e a produção em série das máquinas. É um olhar generoso sobre como o saber humano pode produzir projetos incríveis simplesmente usando as mãos para criar ou o cérebro para ir além com o uso da tecnologia.

Assim que entramos na exposição vemos um incrível modelo da Chanel, um vestido que desafia os padrões por ser feito nos moldes de uma mulher grávida para ser o vestido de noiva que fechou o desfile de alta-costura inverno 2015. Todos ficamos extasiados também por essa peça ter uma longa capa bordada com milhares de cristais.

A exposição tem galerias divididas por temas, como bordado, plumas, couro, plissado, flores artificiais e renda. As escolhas das peças foi feita de forma a muitas vezes relacionar o ‘antigo’ com o ‘atual’. Nessa foto, por exemplo, o modelo bordado azul é um Dior de 1949 e o prata um Mcqueen dos anos 2000.

Os plissados são tão fascinantes e versáteis que ganharam duas galerias… vemos desde modelos clássicos como esse Madame Gres de 1950 até os mais ousados como os ‘Rhythm pleats’ de Issey Miyake feitos na década de 90.

Miyake, aliás, inventou o processo ‘garment pleating’, onde as roupas são plissadas depois de prontas. Os moldes iniciais têm duas, três vezes o tamanho final. O bacana é que o MET exibe também alguns moldes para gente ter uma ideia da diferença.

O mais ‘tecnológico’ dos vestidos exibidos ali pode ser o ‘Kaikoku floating dress’ de Hussein Chalayan, apresentado no desfile outono/inverno de 2011-12. Feito de fibra de vidro, motorizado, com cristais Swaroski e papel de pérola representando esses pólens na superfície, a peça é uma instalação operado com controle de remoto. Quando alguém o ‘veste’ pode acionar os pólens a se lançarem no ar e rodopiarem em volta, um gesto poético descrito pelo estilista como um símbolo de novos começos.

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O passeio é perfeito para quem ama moda, no entanto, os curadores podiam ter explorado mais o uso de vídeos para demonstrar certos processos. Também senti falta de ver produções de estilistas/marcas que não fossem europeus ou japoneses.

Manus x Machina fica em cartaz no MET NY até 5 de setembro de 2016.

– Mari Ferrari é jornalista carioca com um pé no Rio de Janeiro e o outro em NY. Seu mais novo projeto The Tropical Curator fala sobre arte e cultura brasileira e internacional. Mais  Site | Instagram.

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